Transportadoras recorrem à recuperação judicial para blindar patrimônio e negociar dívidas

Queda na demanda, comprometimento da renda e dificuldades para pagar financiamentos, folha de pagamentos, tributos e fornecedores são as principais reclamações das empresas de transporte de carga durante a Pandemia. Para antecipar a blindagem do patrimônio e as negociações com os credores, empresários do setor estão recorrendo à recuperação judicial

De acordo com o 3º levantamento realizado pela Confederação Nacional de Transporte (CNT) para mensurar os impactos da Pandemia, 74,8% dos transportadores estimam impactos negativos da crise nos seus negócios por mais de quatro meses e 64% disseram que já estão com a capacidade de honrar os compromissos comprometida.

O advogado especialista em recuperação judicial, Antônio Frange Júnior, explica que muitas transportadoras já passavam dificuldades em decorrência de um programa do governo passado que, para estimular o setor de automóveis, lançou linhas de crédito a juros baixos. 

O que era para aquecer a economia causou desequilíbrio no setor. Segundo o advogado, muitos empresários aumentaram sua frota, autônomos trocaram seus caminhões e o resultado foi o excesso de oferta e queda no preço do frete. Com a alta no preço dos combustíveis, muitas transportadoras passaram a operar no vermelho. 

“Temos muitos clientes que recorreram à Justiça para garantir a continuidade das atividades. Com a blindagem do patrimônio e a possibilidade de congelar os valores devido, as transportadoras estão conseguindo retomar a saúde financeira de seus negócios”, explica Antônio Frange.

De acordo com o advogado, este movimento em busca de socorro na Justiça deve ter outra alta agora na Pandemia e, para evitar morosidade, o melhor caminho é antecipar as tratativas e assim evitar cobranças abusivas por parte de bancos. “Quanto mais cedo o empresário der início à recuperação, mais segurança ele terá com relação ao patrimônio e maior poder de negociação com os credores”, afirma Frange Júnior.

Sem Crédito – O levantamento da CNT apontou que 42,2% das transportadoras buscaram crédito desde o início da pandemia, porém 44,8% delas tiveram a solicitação de crédito para capital de giro negada.

“Com dificuldades de acessar crédito, as empresas se viram obrigadas a lançar mão de medidas de ajuste nas relações de trabalho – previstas na medida provisória n.º 936. Das transportadoras entrevistadas, até maio, 45,6% já adotaram a suspensão temporária do contrato de trabalho; e 42,2% aplicaram redução proporcional de carga horária e salários. Além disso, 38,1% dos transportadores efetuaram demissões em virtude da pandemia; e a expectativa é haver novas demissões nos próximos 30 dias”, destaca a pesquisa.

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